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segunda-feira, 17 de maio de 2010

As crianças são os homens do futuro




"O que me magoa é que todos os nossos assuntos são liquidados às pressas e
de qualquer maneira, como se para os adultos a nossa vida, as nossas preocupações e
insucessos não passassem de acréscimos aos problemas verdadeiros que eles têm.
É como se existissem duas vidas; a deles, séria e digna de respeito; e a nossa,
que é como se fosse de brincadeira. Somos menores e mais fracos; daí, tudo que nos diz
respeito parece um jogo. Por isso o pouco caso.
As crianças são os homens do futuro. Quer dizer que elas existirão um dia, mas
por enquanto é como se ainda não existissem. Ora, nós existimos; estamos vivos,
sentimos, sofremos.
Nossos anos de infância são anos de uma vida verdadeira.
Por que nos mandam aguardar, e o quê?
E eles, os adultos, será que se preparam para a velhice? 
Não desperdiçam levianamente as suas forças?
Gostam, acaso, de ouvir as advertências de velhos ranzinzas?
Na cincenta monotonia da minha vida de adulto, lembrei-me das vivas cores
dos anos da infância. Voltei atrás, deixei iludir-me pelas reminiscências. E eis que
ingressei na cinzenta monotonia dos dias e das semanas de criança. Nada lucrei, mas
perdi o tempero da resignação.
Estou triste. Sinto-me mal.
Estou terminando o meu estranho relato"

Livro: Quando eu voltar a ser criança, Janusz Korczak

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